Algumas tentativas de alcançá-lo (o poema)

Comentário sobre “Uma tentativa de retratá-la”, de Carlito Azevedo.

A objetividade de “Uma tentativa de retratá-la”, poema de Carlito Azevedo, termina logo no título, em um anúncio quase redundante da impossibilidade do poema, já que retratar alguém é em si mesmo uma tentativa (obviamente frustrada) de alcançar o inalcançável, de apreender um instante que nos escapa a cada investida que fazemos.

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Uma ilha em um lago em uma ilha em um lago em uma ilha

Eu é um outro.

Há um ensaio (1) em que Ricardo Piglia ousa inventar uma possível sexta proposta para o projeto inconcluso de Italo Calvino, que morreu em 1985 deixando escritas apenas cinco das Seis propostas para o próximo milênio, série de palestras que daria em Harvard e nas quais identifica seis qualidades que, segundo ele, apenas a literatura pode salvar: leveza, rapidez, exatidão, visibilidade, multiplicidade, consistência.

Em vez de escrever sobre a consistência, a proposta ausente, Piglia toma um desvio em direção à margem. Qual seria essa proposta se fosse escrita em Buenos Aires, se fosse escrita a partir deste subúrbio do mundo? Ele acredita que o lugar marginal da Argentina (e da América Latina, por consequência) nos dá uma certa vantagem, porque nos confronta com os limites da literatura.

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Começo

Uma ilha em um lago em uma ilha em um lago em uma ilha.

Em fevereiro de 2003, eu comecei um blog, o Na Rua, que mantive atualizado até 2009. Muitos começos se encontravam naquele blog: o jornalismo, a fotografia, alguma militância. Gestos que esboçavam alguma autoria.

Mas o começo não está necessariamente na origem. Um começo não passa de um ponto arbitrário na espiral de um vórtex, para usar a palavra de Walter Benjamin (1).

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