Página inicial do projeto The Places We Live, da agência Magnum
A mítica agência Magnum lançou na rede esta semana um novo projeto, chamado “The Places We Live” [Os lugares em que vivemos], de autoria do fotógrafo Jonas Bendiksen. Entre 2005 e 2007, Bendiksen fotografou a vida em favelas espalhadas pelo mundo. O que torna o projeto mais interessante é a adaptação para a web, produzida pela Magnum In Motion, a face online da Magnum, uma agência sexagenária que tem se esforçado bastante para se adaptar ao mundo conectado.
Clicando nos pequenos retratos dispostos acima da imagem principal, o leitor é levado ao interior da casa do personagem, em um panorama interativo acompanhado de uma narração em áudio, que conta um pouco da história do habitante daquela casa. A proposta é simples e bem interessante, ainda mais considerando o título do projeto.
Áudio-panoramas como esses são apenas uma pontinha das possibilidades de um jornalismo de imersão virtual, e uma ponta bem simples de se fazer (como acaba de sugerir o amigo André Deak em seu blog). Dá um pouco de trabalho braçal (ou melhor, digital, de dedos, certo?), mas penso que é um recurso bom para ser usado em algumas coberturas.
Tenho uma crítica ao trabalho da Magnum, no entanto. Os depoimentos originais dos personagens foram substituídos por versões dubladas e interpretadas (com sotaque!) em inglês, o que acaba com a naturalidade das falas, por mais fiéis que sejam os dubladores. Melhor se colocassem o áudio original com legendas.
O "pessoal da imprensa" aguarda a palavra final do candidato Geraldo Alckmin após a derrota nas eleições de 2008.
Domingo de eleições, 5 de outubro de 2008.
18h: pautado pelo jornal, com a apuração recém-iniciada, chego ao portão da casa do candidato Geraldo Alckmin (PSDB), no Morumbi, onde um pequeno grupo de repórteres aguarda um aceno do já provável derrotado postulante. Não se sabe se Alckmin falará ali mesmo ou no local reservado pelo seu comitê, na Liberdade.
19h30: alguém sugere pizza.
20h30: com a apuração paralisada, o antes pequeno grupo de repórteres já soma, numa conta assumidamente imprecisa, cerca de 50 pessoas. Nada de Alckmin. As crianças do prédio se divertem às custas dos jornalistas, com direito a um alarme falso que atiça os ânimos.
21h05: o presidente do diretório municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo, vem ao portão para conversar com os jornalistas. Repórteres de rádio e texto tomam a frente, para cólera generalizada do “pessoal da imagem” (fotógrafos e cinegrafistas), que tem o campo de visão prejudicado.
21h30: com os ânimos acalmados e a apuração já caminhando para o final, os profissionais da imprensa seguem postados em frente ao portão, agora minimamente organizados. Crianças seguem se divertindo, brincando, entre outras coisas, de abaixar as calças dos amiguinhos em frente às câmeras.
22h: com a apuração já quase encerrada, vem a notícia: Alckmin dará uma coletiva ali mesmo no salão de festas do seu prédio. Para delírio do “pessoal da imagem”, somos nós os primeiros a entrar.
Entrevista coletiva no salão de festas do edifício.
22h16: com a derrota já selada pelas urnas, Alckmin chega para falar com os repórteres e é aplaudido pelos confrades.
22h20: Alckmin termina o discurso.
22h25: uma das crianças pergunta: “Mas já? Vocês esperaram todo esse tempo pra isso?” E, diante da minha concordância, “pelo menos vocês ganham bem, né?”
Por essas e outras, tem gente decretando o ‘fim do jornalismo’. Se for disso aí, é felizmente.
Inspirado pela experiência de participar da cobertura experimental do Roda Viva, ontem à noite (comentários aqui em breve), e ainda mais pelas recentes discussões que tenho acompanhado sobre cultura e inclusão digital, lan houses e o futuro da democracia e da comunicação, convido-os a um interessantíssimo debate do qual sou co-organizador.
Nesta quarta-feira, 1 de outubro, [...]
Mas não no centro da roda, ainda não estou tão famoso.
Participo hoje de uma iniciativa interessante na TV Cultura, a “transmissão experimental participativa“, que estreou na semana passada no site do Radar Cultura (também no blog do Radar). Basicamente, são algumas boas idéias aglutinadas em uma página. Em uma mesma tela, assista ao streaming ao [...]
Com tantas restrições à propaganda e à livre troca de informações sobre as eleições municipais da próxima semana, nunca houve antes uma ‘festa da democracia’ tão chata no país. O máximo de diversão a que somos autorizados são os programas eleitorais gratuitos e seu festival de asneiras. Chego a ter saudades de 1989, com Collor, [...]
A Garapa, coletivo do qual faço parte, está de site novo. Mais um exercício que fiz de customização de Wordpress. Peguei o template F8 Static, criado por Thad Allender, da Graph Paper Press, e o transformei no site que vocês vêem na imagem acima. Ando brincando e aprendendo bastante com isso. A simplicidade chega a [...]
Como alguns sabem, faço parte da Garapa, um coletivo de produção jornalística multimídia e independente nascido no final de 2007.
Pois bem, vejam só. Depois de várias tentativas frustradas, conseguimos, enfim, emplacar um trabalho multimídia em um grande veículo de imprensa, graças à confiança e ao esforço da editoria de fotografia do jornal. Sem champanhe ou [...]
October 10, 2008 - Angelo de Assis em Magnum, áudio-panoramas e o jornalismo: Uma proposta audiovisual muito interessante de união entre web, jornalismo e fotografia.
Quanto à dublagem com sotaque, vale lembrar que esse é um mau hábito herdado da televisão de língua inglesa. Está em todas: CNN, BBC, Fox, Discovery, NetGeo, A&E etc.
Angelo
http://www.angelodeassis.blogspot.com
October 10, 2008 - Andre Deak em Magnum, áudio-panoramas e o jornalismo: Legal Paulo, o post ficou muito melhor do que eu faria, ainda mais lá pra 1h am, que é quando cheguei em casa...
E essa é pra guardar pra mostrar em salas de aula mesmo. Mostrar que novas maneiras de contar histórias existem é fundamental.
October 10, 2008 - Rodrigo van Kampen em Magnum, áudio-panoramas e o jornalismo: Impressionante...
Já compartilhei com a minha sala (de jornalismo).
E pensar que na faculdade de jornalismo 90% do tempo ainda é lead, pirâmide invertida e redação X comercial.
Abraços!